A Diferença Entre o Amor e o Apego

O oposto do amor é o apego...
O oposto do amor é o apego…

Você alguma vez já parou pra pensar sobre o real motivo de estar vivendo e convivendo com a pessoa amada? Já questionou porque aceitou dormir com essa pessoa todas as noites e acordar com ela todas as manhãs. Já refletiu sobre o porque ter de aguentar (ou talvez aturar) as manias, os defeitos, os ciúmes e os chiliques da pessoa amada e ainda assim ser carinhoso com ela? E o porque ter de dividir com a pessoa amada, a sua vida e seus pensamentos e sentimentos? Se você não parou pra pensar nisso, é melhor que pare pra pensar nisso agora, porque isso é importante.

Não precisa chegar na sua pessoa amada e pensar junto, eu falo sobre reservar um momento só pra você, sozinho e refletir sobre essas coisas, para só depois pensar em discutir a relação ou a amar e respeitar mais ainda a pessoa com quem você ama. Sim, isso é importante, pois isso faz entender mais a sua vida, amar mais a si mesmo, pois se não é capaz de amar a si mesmo, não será capaz de amar ninguém, muito menos a pessoa que você acha que está loucamente apaixonado.

Sim, isso mesmo! Entenda e compreenda o real motivo de você estar loucamente apaixonado por esta pessoa. Se não for porque a pessoa é bonita, gostosa, sensual, tem bom status social, um bom emprego, bem prendada ou tem uma poupança bem gorda, ou porque morre medo de viver sozinho parabéns, pois você está no caminho certo. Caso ao contrário, é melhor rever muito e muito bem os seus conceitos. Uma coisa é a pessoa amar a pessoa, outra coisa é ter apego por essa pessoa.

E mesmo as pessoas que se amam a pessoa e não o que ela tem, é sempre bom refletir, pois é sempre bom pensar também nos sentimentos que existem entre as pessoas. O importante não é pensar apenas sob o crivo da razão, mas pelo crivo da emoção também, pois precisamos de ambos para poder compreender toda a situação em que vivemos com a pessoa amada.

A principal causa dessa confusão entre o amor e o apego, se dá principalmente pela carência, pois justamente é a carência que nos faz ver o amor onde não existe amor. É como se  vivêssemos em um relacionamento em que o amor não é correspondido, e pode não haver nenhum interesse material entre as pessoas, mas de qualquer maneira, o relacionamento não é baseado no amor e sim no apego.

Pois é aí que mora o perigo, porque esse apego pode acabar criando um dos piores tipos de solidão, que é a solidão a dois. É uma situação em que um casal, mesmo morando debaixo do mesmo teto, acaba não tendo um relacionamento amoroso saudável, tendo muito pouco ou nenhum diálogo entre si, chegando a nem ter relações sexuais e muito menos se beijarem, vivendo praticamente como se fossem companheiros de quarto.

Eles podem até achar que a situação é incômoda e desconfortável, mas nada fazem para melhorar ou mudar toda a situação, pois estão acomodados com isso e não querem ser livres pra cada um ter sua vida ou até mesmo procurar viver com outra pessoa que a ame de verdade, argumentando ser uma traição conjugal. Talvez seria mais saudável terminar o relacionamento e viver sozinho (acredite, é muito melhor do que solidão a dois), do que tentar manter relações extraconjugais ou até abrir um relacionamento. Mas no geral, acaba com que o apego acaba falando mais alto, justamente pelo medo e horror a viver sozinho.

O mesmo se vale pelo casamento por interesse. Se está com a pessoa, porque ela é bonita ou tem dinheiro, tem bom estudo ou bom emprego. Ainda sim, podemos chamar de apego, pois em este tipo de relacionamento, é mais rápido a pessoa criar solidão a dois, onde o casal retrata a carência, mostrando um verdadeiro relacionamento de fachada.

Relacionamentos baseados em apego acabam criando crises afetivas que prejudicam profundamente uma pessoa. Imaginemos uma pessoa sendo tratada nada mais que um pedaço de carne, visto apenas como um mero objeto, seja de prazer ou de exploração, ou ainda criando a mesma situação em que citei no paragrafo anterior, em que os relacionamentos se baseiam na carência. Vale lembrar que em relacionamentos baseados em interesse, acabam portanto criando uma carência muito grande para uma pessoa ou talvez o apego, que é também o mais comum.

Então como podemos saber se é amor ou é apego? Se é paixão ou se é carência? Simples: basta fazer as importantes reflexões que sugeri no começo deste texto. Muito se fala em onda de divórcios e separações entre casais, não é somente pelo fato de hoje haver muito mais liberdade do que antigamente, nem pelo fato das pessoas estarem perdendo amor, ou muito menos o amor perdeu prazo de validade. Isso ocorre pelo fato de não atacarem o problema pela raiz: a carência e o interesse, que gera por fim, um relacionamento baseado no apego, com medo de não viverem sozinhos, ou pelo fato de submeterem a inúmeras chantagens emocionais e até mesmo ameaças.

Nesses últimos casos, isso é ainda mais perigoso, demonstrando um relacionamento bastante violento, onde além de ter a carência dobrada, como normalmente ocorre em solidão a dois, sofrimentos psicológicos, emocionais e até físicos bem profundos, ocasionando um trauma que se torna incurável, carregando essa dor pelo resto da vida, que somente poucos conseguem superar. Como podem ver, um relacionamento baseado no apego sempre trará problemas e desconforto na vida de uma pessoa, mesmo que não haja sinais de violência, mesmo que o casal conviva como dois universitários companheiros de quarto, mas ela sempre trará, pois solidão a dois e carência a dois corrói os sentimentos pouco a pouco, que futuramente gerará problemas ainda maiores.

Daí muitos optam em se separar, postando indiretas em redes sociais, as frases do tipo “a fila anda”, ou então “só valoriza quando perde”, e que devemos dar bola pra frente. Se o relacionamento não deu certo, ainda que seja um belo romance shakespeariano, vale lembrar que não devemos ficar apegado a um relacionamento amoroso, que já terminou, antes mesmo de sentar pra conversar com a pessoa de que não quer mais viver com ela.

Sim, não incentivo a ninguém a viver com uma pessoa, por conta de apego, nem aconselho isso. Dar o fim ao relacionamento é a melhor coisa a fazer. Mesmo assim não se deve ficar falando aos sete ventos de que só valoriza quando perde, pois isso é uma forma de chantagem emocional, que alimenta mais ainda o apego, e nunca o amor, pois se a pessoa não dá o seu devido valor, é porque não ama.

Não existe essa de aprender aprender a amar a pessoa, ou a pessoa ama, ou não ama, mas vale lembrar que cada um tem o seu jeito de amar, nunca se deve se exigir que se ame da mesma forma. Amor, sentimentos, consideração, são coisas que não se exigem, tem que vir completamente da pessoa. Abrir relacionamento, trair, fazer chantagens e ameaças não vão resolver problema nenhum, pois isso alimenta apego, a carência, a solidão a dois, nunca o amor. Amor é puramente sentimento verdadeiro entre duas pessoas e são recíprocas, amor é respeito, paciência e cuidado um com outro, é confiar plenamente, sem segredos.

Se não for pra cultivar um relacionamento amoroso (preste atenção, é relacionamento amoroso, vindo de amor), não vale a pena continuar com ele e viver nele. Se for pra cultivar o relacionamento, um namoro ou um casamento, que seja única e verdadeiramente por amor, por nenhum motivo a mais, nada além disso. Não viva com a pessoa amada por carência, pois a carência faz imaginar o amor onde não existe, ou seja, a miragem emocional. Não viva com a pessoa amada só porque engravidou, você pode assumir uma criança sem precisar se casar ou viver com ela.
Não viva com a pessoa amada, por causa do dinheiro, status social ou profissional, pois você será tratado como uma mercadoria. Não viva com a pessoa amada, só porque ela ajuda a arrumar a casa ou é bem prendada, você pode trabalhar pra pagar uma boa diarista. Não viva com a pessoa amada por causa da beleza, pois um dia, a beleza vai embora. Não viva com a pessoa amada por causa, por causa das chantagens e ameaças, assuma a coragem, lute e peca ajuda, se necessário. Mas nunca fique com a pessoa, se não for por amor, pois somente o amor que se cultiva o relacionamento saudável, não o contrário.

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Seguir Fábio Valentim:

Analista de Sistemas e Escritor

Uma pessoa que está sempre disposta a acreditar nos sonhos, no amor e na felicidade até as últimas consequências. Sou proprietário e editor-chefe do Baú do Valentim.

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