Poligamia e Religião – Parte II

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A poligamia ainda é aceita em algumas religiões, e é praticada até hoje, mesmo em religiões em que a poligamia é proibida e condenada. Na imagem vemos um muçulmano com suas quatro esposas, o máximo permitido pelo Alcorão.
A poligamia ainda é aceita em algumas religiões, e é praticada até hoje, mesmo em religiões em que a poligamia é proibida e condenada. Na imagem vemos um muçulmano com suas quatro esposas, o máximo permitido pelo Alcorão.

No texto anterior, eu falei da poligamia no contexto exclusivamente bíblico, e ainda ressaltando a poligamia e a sua importância no meio judeu, desde os tempos antigos, até os dias atuais. Continuando a falar da poligamia no contexto religioso, vamos agora observar que mesmo depois da institucionalização do cristianismo, mesmo que seja com o Concílio de Niceia no ano 325, ainda há correntes que apoiam a poligamia. Porém, esta prática foi banida depois deste citado evento, com o fortalecimento da instituição Igreja Católica Apostólica Romana, o que como todos sabem, a mesma Igreja Católica, sediada no Vaticano, condena veemente a prática da poligamia. Mesmo com a Reforma Protestante, que deu origem ao mundo evangélico, a poligamia continua sendo uma prática bastante condenada, considerada um escândalo.

Como eu tinha dito, esta prática da poligamia era até mesmo aceita entre os primeiros cristãos, nos tempos antes da Idade Média, conforme diz neste texto. Ainda neste mesmo texto, observamos que pessoas renomadas do meio cristão, como Santo Agostinho, não veem a poligamia como imoralidade ou um pecado, propriamente dito, nem mesmo um crime, mas uma instituição legal neste país, ao mesmo tempo que afirma que hoje não havia tanta necessidade de ter tantos filhos, como agora, onde o homem poderia ter mais esposas, para ter mais filhos. Até mesmo o Martinho Lutero, o precursor do mundo evangélico, que conhecemos hoje diz que se um homem se casar com duas ou mais mulheres, ele não irá proibir, pois não contradiz a escritura (conforme mostrado no texto anterior). Alguns grupos chegam a manter o segundo casamento em segredo, para evitar escândalos, o que não seria muito longe do conhecidos swings e casamentos abertos, como conhecemos atualmente. Vale lembrar também que as igrejas africanas aceitam abertamente a poligamia, até nos dias de hoje, por força das tradições das nações africanas, em que era muito comum esta prática, antes da implantação do Cristianismo nestas regiões.

A poligamia também é defendida de forma veemente pelos mórmons, ou seja, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada por Joseph Smith Júnior, no século XIX. Neste caso, não existe limites de esposas, como existe no Islamismo, bem como não há restrições de um homem para uma única mulher, como ocorre em outras correntes cristãs, mesmo no catolicismo, que iniciou com essa proibição. Ainda hoje vemos esta prática entre os mórmons, burlando as leis, como as brasileiras que proíbem a poligamia. Em países, onde a poligamia é proibida, eles mantém a prática de que somente a primeira esposa pode casar no civil, ou seja registrado, logo, a segunda esposa não será registrado, o que caracteriza como crime de bigamia, mas a segunda esposa, fica em regime de concubinato, ou união estável.

Mas todos conhecem que a poligamia é mais comum no Islamismo, a religião fundada por Maomé, em meados do século VII, na atual Arábia Saudita. Conforme manda a doutrina islâmica, um homem pode se casar com até quatro mulheres, e todas devem se tratadas e amadas igualmente. Há grupos feministas islâmicos que querem acabar com a tal prática, pois reduz o papel da mulher, reduzindo como um objeto, ao contrário dos conservadores, pois reforça o papel do homem como chefe da casa, da família, perante à sociedade. Assim vemos em outras correntes religiosa, mesmo as cristãs, que permitem a poligamia, reforçando este mesmo papel para o homem, enquanto a mulher terá de viver submissa aos seus maridos, mesmo que este mesmo marido tenha mais de uma esposa. Ainda que a poligamia esteja autorizada pelo Alcorão, não é muito comum, ficando apenas com quem tem boa renda financeira, para bancar igualmente todas as suas esposas. Portanto, há autoridades bastante poderosas, como Sultão de Brunei, que burlam isso, tendo cinco esposa e dezenas de concubinas, para fazer o seu harém particular. Lembramos que o Islamismo é uma das religiões abraâmicas, assim como o Cristianismo e o Judaísmo, que vieram da mesma base histórica, que favorecia a poligamia, onde até mesmo os antigos cristãos e judeus praticavam a poligamia, mesmo hoje, por meio de mormonismo.

Mas o que o Espiritismo acha da poligamia? Conforme dito no Livro dos Espíritos, a poligamia é uma lei humana, que será abolida, à medida que a humanidade esteja evoluindo, ou seja, cria-se a necessidade maior de afeição, não mais o carnal. O casamento não é mais a necessidade de se procriar filhos, mas também para criar laços afetivos e espirituais. Um lar não é uma coisa física, uma casa, um tijolo construído, mas uma teia de laços fraternais, que mantém as mesmas almas unidas. Ainda segundo o Alan Kardec, em sem comentário no Livro dos Espíritos, ele afirma que a poligamia não é um instinto biológico, mas o resquício das evoluções atrasadas. O espiritismo não condena a poligamia, apenas ressalta que quando uma pessoa é evoluída, ela não se une a pessoa, por desejo carnal, ou seja valoriza mais a quantidade, enquanto os mais evoluídos, se unem a uma pessoa, pela necessidade afetiva, a união espiritual, não somente física, ou seja, a pessoa passa a ser fiel e a se dedicar somente a esta pessoa.

No Budismo, a poligamia é comum em alguns países, tanto com um marido com várias esposas (poliginia), quanto uma esposa com vários maridos (poliandria). A poligamia, segundo a doutrina budista, não é considerada imprópria, nem mesmo no próprio budismo, haja discriminação ou repressão por certos preceitos sexuais, ou seja, a pessoa pode ter mais de um parceiro, conforme a sua necessidade, sem nenhum sentimento de culpa. O casamento, sob a ótica do budismo, não é visto como um sacramento ou um contrato social, em que um homem deve ficar exclusivamente com uma única mulher, ao contrário do que acontece nas nas religiões abraâmicas. Em outras palavras, o mesmo budismo reforça o tratado de confiança, respeito e amor, e é bastante comum as pessoas afirmarem que um homem pode amar mais de uma mulher, ou uma mulher amar mais de um homem.

Aqui apresentei todas as visões da poligamia, no contexto religioso. Não mostrei todas as visões religiosas, mas as principais. Lembremos também há grupos religiosos ou não, que praticam a poligamia, mesmo que este seja proibido, ou seja, vivendo como “amantes autorizados”, típicos de um relacionamento aberto e praticantes de swing. A poligamia ainda é evidente até mesmo na mídia e nas novelas. Concordo que a extinção da poligamia seja um passo evolutivo, não moralmente, mas espiritualmente falando, pois hoje em dia, as pessoas não esperam apenas um corpo bonito de seus entes, mas também um laço afetivo, uma união fraterna e espiritual, em que possam viver assim unidos por toda a eternidade, mesmo que muitos possam afirmar que o amor tem prazo de validade, mas para quem acredita no amor e vive no amor verdadeiro, ele será eterno.

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Analista de Sistemas e Escritor

Uma pessoa que está sempre disposta a acreditar nos sonhos, no amor e na felicidade até as últimas consequências. Sou proprietário e editor-chefe do Baú do Valentim.